Sou fotógrafo de mulheres há 30 anos. Atrás da imagem verdadeira — não da perfeita.
Comecei a fotografar quando ainda não havia linguagem para o que eu queria fazer. Só havia a câmera, a luz disponível e a intuição de que a imagem mais interessante raramente é a mais óbvia. Isso foi há três décadas — e essa intuição, com o tempo, virou método. Nascido e baseado em São Paulo, fotografei no Brasil, mas também nos Estados Unidos, Holanda, França e Itália. Por uma década assinei ensaios e capas para a Sexy, e publiquei capas na França e no Japão.
Meu olhar foi elaborado em silêncio. Cartier-Bresson me ensinou que o instante decisivo se reconhece. Man Ray, que a câmera mente tão bem quanto a realidade — e que essa mentira, bem contada, revela mais verdade que qualquer registro fiel. Monet me deu a névoa, a luz que sugere em vez de mostrar. Mondrian, a linha reta que organiza o caos sem domesticá-lo. Do cinema, que o que está fora do quadro importa tanto quanto o que está dentro. Tudo isso está nas minhas fotos — não como citação, mas como sedimento.
Evito uma palavra: perfeito. Perfeição técnica é reproduzível — qualquer câmera moderna entrega foco e exposição corretos. Interessa-me o desfoque que cria atmosfera, o enquadramento que esconde para revelar, a linha que contrasta com a organicidade de um gesto. Penso em cada ensaio como uma tela em branco: a luz que existe, o espaço que existe, a pessoa que existe são o material. O resultado raramente é o que as duas partes imaginavam antes de começar. Normalmente é mais.
Sou membro da Model Society, a maior sociedade de Nude Art do mundo — por identificação com seu princípio: a beleza está em todas as pessoas e merece ser apreciada sem hierarquia e sem julgamento. Não existe corpo certo, idade certa, fase certa. Quando você entra num ensaio comigo, não contrata um serviço técnico: entra num processo que termina quando você se olha nas fotos e reconhece algo que sempre esteve lá. A foto pode ser boa, mas a experiência é sempre melhor.
Trinta anos entre a editorial, as grandes publicações e o retrato íntimo feminino. A resposta nunca esteve no equipamento.
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